Bomba de insulina – Insulina basal

Bomba de insulina – Insulina basal

Afinal qual a importância de ter a taxa (valor) da basal certa?

E como podemos saber se está certa?

Este é o artigo certo para si se procura resposta a estas questões, ainda que nem tudo seja sempre igual.

A insulina basal é extremamente importante pois o controlo glicémico “apoia-se” numa boa taxa de basal.

Vejamos, se tivermos insulina basal em demasia os nossos rácios serão menores pois têm a “ajuda” desta insulina, e se for basal a menos será ao contrário.

Imaginem ter basal a mais e ter de fazer um jejum prolongado devido a algum exame?

Teremos então o risco de descida em demasia e a consequente hipoglicemia.

Alguns dirão que se tal acontecer colocam uma basal temporária, mas será essa a forma certya de atuar ou será que o ideal é ter a basal certa?

A resposta parece óbvia.

A insulina basal é, pois, a BASE do controlo glicémico (isto existe?).

 

Mas como podemos testá-la?

A primeira a dizer é que não é algo fácil, não é algo que se faça num dia (pelo menos com a certeza a 100%)

Não é fácil pois para avaliar a basal teremos de excluir tudo que possa influenciar.

Se queremos avaliar apenas a basal teremos de retirar hidratos de carbono (atenção que proteínas e gorduras não podem ser ingeridas também), insulina rápida que não seja basal (correções por exemplo), basais temporárias (seria alterar a taxa normal de basal), exercício físico (tendência a ser necessária menos insulina basal), stress (escolher dia sem stress).

O ideal é fazer o teste num dia normal, de trabalho, pois esses são a maioria, e é nesses que queremos ter a basal bem definida.

 

Preparação para o teste

Glicemia entre 90 e 150 (um intervalo seguro)

  • Glicemia estável ou o mais perto possível (quem utiliza CGM ou libre deve ter valores sem inclinação, seta horizontal)
  • Não ter feito atividade física nas 12h antes
  • Não ter comido ou administrado insulina rápida nas 4 a 5 h antes
  • A última refeição antes do teste (4h antes) deve ter sido pobre em proteína e gordura, pois estes nutrientes irão influenciar os valores de forma mais prolongada
  • Sem valores de hipoglicemia nas 4h antes de modo a que tenha existido estabilidade e não se tenha recorrido a hidratos rápidos e ou lentos para a tratar
  • Sem stress 😊
  • Se a menstruação afeta os valores, deve-se realizar o teste após esta.

 

Como fazer o teste: inicio, fim, horários, interrupção obrigatória

Blocos de tempo (uma possibilidade)

O teste deve ser dividido por fases, isto é, por períodos do dia, tal deve-se não apenas a que não seja tão difícil de fazer, mas também devido à produção de corpos cetónicos.

Com a não ingestão de alimentos o corpo tende a criar corpos cetónicos o que irá influenciar o efeito da insulina.

O teste pode então ser dividido tendo em conta as refeições principais:

 

Pequeno-almoço/manhã: desde passadas 4 h do jantar ou da ceia, às 11h/12H (dependerá da hora do almoço.

Avaliar desde o período da noite é o mais fácil pois, à partida, vem-se de uma noite sem ingestão de alimentos e, espera-se, sem correções ou basais temporárias.

 

Almoço/tarde: 11h/12h às 18h

Como não se deve estar em digestão, o almoço será transformado num pequeno almoço com mais hidratos, para que 4h depois comece o teste, permitindo assim que pelas 11h/12h comece o teste.

 

Tarde/jantar: 18h às 22h

Mais uma vez um almoço ou um lanche pelas 15h permitirá começar o teste pelas 18h, prolongando-se até às 22h de modo a permitir ir para a cama com algum alimento, para que o quiser fazer.

 

Noite/manhã: 22h ao pequeno-almoço

Talvez o teste mais fácil, mas implica fazer o “jantar” pelas 17h.

Ou prolongar o período da tarde até às 24h, e desta forma este bloco pode começar às 0h, e assim permite o jantar pelas 19h.

 

Estes blocos não têm de ser avaliados no mesmo dia, nem em dias consecutivos, é algo que se pode ir fazendo.

Deve ainda testar-se cada bloco não apenas uma vez, de modo a ter certezas.

 

O ideal é começar pelo bloco da Noite/manhã, pois acordar com valores diferentes fará toda a diferença. E depois ir fazendo os blocos consecutivamente como a altura do dia:

 

Noite/manhã -> Pequeno-almoço/manhã -> Almoço/tarde -> Tarde/jantar

 

Realização do teste

“Regras”

  • Não comer/ beber (à excepção de água)
  • Não fazer exercício físico
  • Verifique a sua glicemia capilar de hora a hora

Ainda que os CGM sejam uma boa ajuda nestes testes, dada a possibilidade de haver discrepâncias, o teste capilar será o mais fidedigno.

  • Registe todos os valores e hora
  • Caso tenha sintomas de hipoglicemia faça o teste capilar e caso se confirme interrompa imediatamente o teste, e trate a hipoglicemia imdediatamente.

Esta hipoglicemia pode significar basal a mais, mas depende do momento do teste, se for logo ao ínicio pode dever-se a alguma insulina rápida do último bólus. (a insulina rápida pode durar 5h, ainda que em pouca quantidade após as 3h)

  • Se a glicemia estiver a subir muito, com valores acima de 250mg/dl, interrompa o teste, e corrija a hiperglicemia. Mais uma vez, como anteriormente, aprendeu algo, nesta caso, basal a menos.

Perante as duas últimas situações o reavaliar será importante, ainda que possa desde logo aumentar ou diminuir a basal.

 

Conclusões e alterações

Antes de mais é importante que fale com a equipa médica acerca deste teste, da forma de o fazer, se pode fazer e solicitar ajuda para as alterações.

 

As alterações variam um pouco com o resultado, mas jogar pelo seguro é sempre importante e a aumentar ou a diminuir a basal fazê-lo sempre em pequena percentagem (para algumas pessoas serão centésimas, outras décimas, nada como questionar o médico caso não saiba quanto pode aumentar ou diminuir a basal)

 

Para se obter resultados numa determinada hora deve ajustar-se a basal na hora antes, ou até uma hora e meia antes, devido ao pico de ação da insulina rápida.

Isto é, caso note que pelas 5h da manhã os valores subiram, deverei mexer no bloco das 3h, 4h.

 

Não altere a basal em demasia, blocos a mais não costumam dar bom resultado, ao longo de 24h é bem possível ter entre 4 a 6 blocos de basal diferente, ao invés de 24 blocos por exemplo 😊

 

Bibliografia:

Think Like a Pancreas” de Gary Scheiner, MS, CDE

Pumping Insulin” de John Walsh, P.A. & Ruth Roberts, M.A.