E as pessoas?

E as pessoas?

 

Artigo de opinião

Começa a fartar a conversa de saúde dos bancos, quando a saúde dos cidadãos não é também tema com a mesma importância.
Isto para se ser “meiguinho”, pois comparar bancos a pessoas é algo, digamos que, surreal.
Há bóias de salvação de milhões para bancos para investir em entidades que continuam a estar envolvidas em negócios duvidosos, que tinham ido à falência, mas nem uma para quem apenas pede mais ou melhor saúde.

Não podemos queixar-nos do que temos à nossa disposição no que à diabetes diz respeito.
Ouve-se muito esta afirmação e não podemos negar que está correctíssima.
As últimas insulinas são comparticipadas, tiras de sangue também, as agulhas, as lancetas, o freestyle Libre, bombas de insulina e consumíveis (em número limitado) igualmente.
Poderia agora falar em bombas de insulinas para todos, em pâncreas artificiais, mas não é disso que quero falar (por agora).
Quero falar de tecnologia de medição de glicemia no líquido intersticial.
Para já temos de forma comparticipada o freestyle Libre.
Existem disponíveis outras opções (dexcom, guardian, glucomen day, eversense,…).
Umas mais caras, outras menos caras.
Todas elas com garantia de fiabilidade!
Umas deram entrada com o pedido de comparticipação no infarmed, outras não.
Consta que umas aceitaram vender ao serviço nacional de saúde ao valor que está previsto na portaria que o regulamenta, outras não.
Perante este cenário, que está a travar a entrada de alternativas válidas ao freestyle Libre em Portugal?
Será a saúde dos bancos?
Não pode, afinal o custo é igual: se eu utilizo uma destas alternativas, não utilizo a outra.
Será a vontade do infarmed em mostrar que quem decide são eles?
Estranhos tempos os que vivemos, e não são certamente devido à Covid-19, pois aparentemente os processos simples tendem a complicar-se quando chegam ao infarmed.

Sérgio Louro
Presidente da associação Diab(r)etes